Proibição começa a valer na próxima quinta (4); já os demais estabelecimentos deverão colocar tapete sanitário na porta do local com o objetivo de evitar a proliferação da Covid-19

José Augusto Alves e Lisley Alvarenga

A Prefeitura de Betim, na região metropolitana de Belo Horizonte, determinou, nesta terça-feira (2), o fechamento novamente de todos os shoppings centers e academias da cidade para conter a propagação da doença. A medida foi anunciada pelo prefeito Vittorio Medioli nas redes sociais e será publicada em um decreto municipal, até essa quarta-feira (3), no “Órgão Oficial do Município”. De acordo com o prefeito, o fechamento desses estabelecimentos será feito pelos próximos 15 dias, entre os dias 4 e 18 de junho.

O município registrou até agora 130 casos confirmados e dez óbitos de Covid-19, sendo que dois aconteceram em hospitais de São Paulo e Belo Horizonte.

Segundo Vittorio, a medida foi tomada porque os shoppings têm atraído moradores de outros municípios em razão da própria localização de Betim, que é cortada pelas rodovias BR-381 e BR-262, e também porque no mês de junho é esperado o pico da disseminação da doença em Minas Gerais.

“Começamos a fazer a flexibilização em Betim (no dia 22 de abril), com responsabilidade e regras rígidas de segurança, mas percebemos que pessoas de cidades vizinhas, que estão com shoppings fechados, estavam vindo para Betim. Por isso, faremos o decreto para fechamento desses locais nos próximos 15 dias. Se fosse só a população de Betim, o comércio local e as igrejas seguindo as regras, poderíamos continuar com o funcionamento, mas, com pessoas vindo de outras cidades, gera um fluxo muito grande”, disse. “Além disso, Betim está numa localização geográfica que recebe muita gente, pois temos rodovias federais que cortam a cidade”, completou.

De acordo com o prefeito, apesar de a curva epidemiológica do município estar sobre controle, não é o momento de abrir a guarda para o novo coronavírus e as próximas semanas serão muito importantes no controle da pandemia. “Os meses de junho e julho são, tradicionalmente, os que aparecem mais casos de doenças respiratórias, por causa das baixas temperaturas e do tempo mais seco. Este ano, ainda temos um problema a mais, que é a pandemia da Covid-19, que é grave também. Por isso, não podemos afrouxar a atenção para que o nosso sistema de saúde não fique sobrecarregado. Mesmo com a situação de estrutura hospitalar de Betim sob controle, temos que reforçar a prevenção. A prefeitura não vence a pandemia. Quem vencerá será todo mundo junto, unido”, disse.

Tapetes sanitários

Outra medida anunciada será a obrigatoriedade do uso tapetes sanitários, em que as pessoas deverão higienizar os sapatos ao entrar, nos templos e estabelecimentos comerciais. Lojas, supermercados, restaurantes, farmácias e todo estabelecimento deverão disponibilizar um tapete sanitário em até dez dias. “Ele deverá ser lavado e higienizado todos os dias, frequentemente. Isso porque as gotículas das pessoas que podem estar contaminadas ficam no solo e, ao andarmos, levamos o vírus na sola do sapato. Por isso, esses tapetes são mais um reforço de segurança”, declarou o prefeito, acrescentando que a Associação de Proteção à Maternidade, Infância e Velhice (Apromiv) começará a produzir o material.

O município também anunciou, nesta terça (2), que vai montar quatro barreiras sanitárias exclusivas para fiscalizar o transporte coletivo. Nos locais onde ocorrerão as blitze, que ainda serão definidos pela prefeitura, as equipes vão aferir a temperatura de passageiros, motoristas e cobradores e orientarão as pessoas sobre as formas de se prevenir contra o novo coronavírus. Um dos locais que já recebeu as blitze sanitária foi a região do Teresópolis.

Enfrentamento

Desde o início da pandemia, a prefeitura vem realizando diversas ações para combater a Covid-19. Além de estruturar a rede de saúde para atendimento a casos suspeitos, com leitos clínicos e de UTI – já são 170 disponíveis, podendo chegar a 370, caso seja necessário –; há ainda a desinfecção de ruas com solução de hipoclorito de sódio a 0,5% que mata o vírus, ações de conscientização; distribuição de máscaras e álcool 70%; fiscalização de comércios e igrejas pra verificar se estão seguindo as normas de biossegurança, além de blitze sanitárias em diversas regiões, principalmente, naquelas em que está sendo registrado maior número de casos de pessoas com síndrome gripal.

Também nesta terça (2), teve início uma pesquisa inédita na cidade, em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que vai aplicar testes rápidos e de PCR em 1.080 moradores para mapear a circulação da doença no município e, assim, poder desenvolver e aprimorar as ações de enfrentamento à pandemia na cidade.