Experientes, sim; inativos jamais. Milhões de idosos mundo afora têm derrubado estereótipos nos últimos anos, mostrando que a idade não é empecilho para uma vida saudável e diversa em vivências. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entre 2012 e 2018, essa população cresceu 26% em todo o país. Só em Minas Gerais, ela representa 13% do total de habitantes, o que atrai a atenção do setor de turismo.

O interesse do mercado de viagens na ‘terceira idade’ é ratificado por uma pesquisa da plataforma global de turismo Booking.com. Realizada com 22 mil turistas de 29 mercados, incluindo o Brasil, ela apontou as grandes tendências de viagem para 2020. Segundo a análise, divulgada pela empresa no fim do ano passado, 77% dos brasileiros acima de 65 anos acreditam que viajar será a melhor forma de aproveitar o tempo livre após a aposentadoria.

Além da oportunidade de conhecer novas culturas e lugares, a analista de turismo da Fecomércio MG, Milena Soares, observa que a população idosa preza por mais qualidade de vida e lazer, encontrando nas viagens uma forma de satisfazer essas questões. “Por terem mais tempo disponível, os aposentados também compõem um público potencial para esse mercado, especialmente em períodos de baixa temporada.”

Novas experiências

A análise da Booking.com também aponta que as pessoas têm planejado se aposentar mais cedo e, em muitos casos, têm aposentado sem abandonar o emprego. Com uma população idosa ainda ‘ativa’, cresce o número de pessoas nessa faixa etária dispostas a viver novas experiências, como as ‘viagens de aventura’. Além disso, 65% pretendem ousar mais em suas escolhas e 29% planejam um ano sabático para viajar por meses, sem interrupções.

Em Minas Gerais, o Observatório do Turismo captou esse interesse dos turistas por mais contato com a natureza. Segundo a pesquisa “Demanda Turística de Minas Gerais 2017”, 35,7% dos entrevistados disseram que o principal motivo para viajarem foi a busca por paisagens, cachoeiras e parques naturais. Ao todo, duas em cada dez pessoas ouvidas eram aposentadas.

Atendimento personalizado

Com interesses cada vez mais diversos, as empresas do segmento têm investido cada vez mais na oferta de serviços personalizados para esse público. É o caso da Bancorbrás, que mantém um programa especial de viagens para idosos de todo o país. “Desde 2005, temos aumentado o número de saídas. No começo, fazíamos uma viagem por ano, mas passamos a duas, uma nacional e outra internacional”, conta a gerente de grupos e eventos da Bancorbrás, Regina Vieira.

A profissional lembra que organizar viagens com idosos requer cuidados especiais, como observar suas condições de saúde, a disposição dos viajantes, o tempo dos percursos e de estadia. “Para melhorar a experiência, preferimos grupos pequenos, de 50 pessoas, para que tenhamos mais contato com o participante. Afinal, lidamos com um público especial, alguns com mais de 90 anos”, ressalta Regina.

Mas nem só de viagens ‘entre pares’ é formado esse mercado. Ao falar sobre seus planos de turismo, cerca de 81% dos avós entrevistados pela Booking.com relataram que se sentem rejuvenescidos ao passar mais tempo com os netos. Além disso, 70% dos idosos defendem que os pais precisam vivenciar momentos a sós, ao menos, em algumas ocasiões.

Para Milena, as empresas que se prepararem melhor para atender aos anseios do turista na terceira idade sairão na frente. “A população brasileira tem envelhecido a cada ano, com mais longevidade e saúde. Isso faz o idoso querer viver novas experiências, seja sozinho ou em grupo. Em Minas, temos muitas opções de roteiro, que vão desde o turismo histórico e gastronômico ao de aventura. O que o empresário do setor precisa é se planejar para captar esse mercado em ascensão, investindo na qualidade da experiência e em serviços para este público.”